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O que é resistência vertical?

A resistência vertical é um tipo de defesa genética específica que as plantas desenvolvem contra patógenos. Ela está associada a genes de resistência (R genes), que reconhecem a presença de determinados genes de avirulência (Avr genes) do patógeno. Essa interação gera uma resposta de defesa rápida e intensa, muitas vezes resultando em morte celular localizada, como no caso da hipersensibilidade.

Essa forma de resistência é altamente eficaz — mas também muito específica. Ela funciona como uma “chave” que só se encaixa em uma “fechadura” específica do patógeno.

doença

Como funciona na prática


Ao identificar o patógeno com o gene correspondente, a planta ativa mecanismos de defesa que limitam a infecção, como a produção de fitoalexinas, reforço da parede celular e morte celular programada. Esse tipo de resistência é muito comum em programas de melhoramento genético, principalmente em culturas como soja, milho, trigo, algodão e tomate.

Entretanto, por ser específica, ela pode ser rapidamente quebrada caso o patógeno sofra mutações ou ocorra pressão seletiva intensa, fazendo com que novas raças do patógeno se tornem dominantes e contornem essa defesa.


Vantagens e Limitações


Vantagens:

  • Controle eficiente e específico da doença;

  • Redução no uso de defensivos químicos;

  • Facilidade de incorporação via melhoramento genético.

Limitações:

  • Alto risco de quebra da resistência em curto prazo;

  • Efetividade restrita a determinadas raças do patógeno;

  • Pode mascarar a presença de outras doenças secundárias.


Comparando com a Resistência Horizontal


Enquanto a resistência vertical é qualitativa, com efeito “tudo ou nada”, a resistência horizontal oferece uma proteção mais ampla e duradoura, embora menos intensa. Ela envolve vários genes menores (poligênica), proporcionando tolerância parcial a múltiplas raças do patógeno.

O ideal é que programas de manejo fitossanitário e melhoramento combinem ambos os tipos de resistência, garantindo segurança genética a curto e longo prazo.


Exemplos de uso em campo


No cultivo de soja, por exemplo, cultivares com resistência vertical ao Phytophthora sojae são amplamente utilizadas. Já no milho, híbridos com resistência a determinadas raças de Exserohilum turcicum (mancha foliar de Helminthosporium) também exemplificam o uso eficaz desse tipo de defesa.

No entanto, o uso contínuo de variedades com o mesmo gene R pode levar ao aparecimento de novas raças virulentas, como já foi observado em várias regiões do Brasil e do mundo.


Conclusão: use com estratégia


A resistência vertical é uma ferramenta poderosa, mas deve ser usada com inteligência. Ela não substitui o manejo integrado, mas pode somar forças com outras práticas como rotação de culturas, tratamento de sementes, controle químico e biológico. Entender os limites dessa resistência é essencial para evitar surpresas no campo e preservar a eficácia das cultivares resistentes por mais tempo.


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